Rainha Ginga: símbolo de resistência da mulher negra

Seu nome original era Nzinga Mbandi Ngola, foi conhecida como rainha Ginga, embora os portugueses preferissem chama-la de D. Ana de Souza. Soberana do povo do reino de Matamba e Ndongono, que se estabeleceu no sudoeste da África no século XVII.

Seu título real na língua quimbundo Ngola foi usado pelos portugueses para denominar aquela região que ficou definida como Angola. Viveu no período do tráfico negreiro e contra os portugueses, conseguiu juntar vários povos resistindo até o fim sem nunca ter sido capturada ficando conhecida por sua coragem e argúcia.

Era parte do grupo étnico Mbundu e filha dos reis mbundus no território Ndongo. Ngola Kiluanji foi contemporânea de Zumbi dos Palmares (1655-1695). Conseguiu fazer tratados com os portugueses para que seu povo não fosse capturado para a escravidão chegando a se converter ao catolicismo quando recebeu o nome de Dona Ana de Sousa. Guerreou e ganhou respeito por liderar pessoalmente suas tropas onde preferia ser chamada de Rei. Formou aliança com os reinos de Congo, Kassanje, Dembos e Kissama. Como soberana rompeu seu tratado com Portugal abandonando a religião católica praticando uma série de violências não só contra portugueses, mas também contra as populações tributárias de Portugal na região. A esta época houve uma guerra com o governador de Angola Fernão de Sousa, onde muitas pessoas sobre o comando de Nzinga morreram e duas irmãs suas foram capturadas sendo levadas para Luanda e batizadas com nomes católicos.

Viveu em paz por duas décadas e foi traída pelo povo Jaga (eram conhecidos por sua violência por onde passavam) com quem tinha aliança e fez uma aliança com os holandeses que tomaram Luanda.

Após várias batalhas, em 1659, Dona Ana assinou um tratado de paz com Portugal, ajudou a reinserir antigos escravos e formou uma economia que ao contrário de outras no continente não dependia de tráfico de escravos. Nzinga faleceu aos oitenta anos de idade de forma tranquila como figura admirada e respeitada por Portugal. Após sua morte, sete mil soldados de seu reino foram trazidos para o Brasil e vendidos como escravos.

No Brasil o nome de Rainha Ginga é referido em vários folguedos da Festa de Reis dos negros do Rosário. Nesta manifestação que acontece geralmente no Rio Grande do Norte, reis do congo católicos lutam contra reis que não aceitam o cristianismo.

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